Resumo
Introdução: Partiu-se do entendimento de que o trabalho pode promover saúde ou adoecimento, conforme a combinação de demandas, recursos e fatores psicossociais.
Objetivo: investigou a relação entre trabalho, suporte organizacional percebido (SOP), qualidade de vida (QV) e saúde mental (ansiedade, depressão e estresse) em técnicos ministeriais do Ministério Público do Estado do Ceará, considerando as diretrizes OMS/OIT (2022) e a Resolução nº 265/2023 do CNMP.
Método: Participaram 30 técnicos (29–52 anos; M = 35,82; DP = 14,71), 55% mulheres, 64% casados, 63% graduados em Direito e 88% com especialização. A maioria trabalha manhã e tarde (94%). Quanto às condições laborais, 70% relataram acúmulo de trabalho e 85% referiram dores corporais associadas; 62% não recorreram a tratamento psiquiátrico e 64% não fizeram/fazem psicoterapia. Em contrapartida, 88% realizam atividade física, sendo 70% três ou mais vezes por semana.
Resultados: Os instrumentos do suporte organizacional (SOP), qualidade de vida (QV) e transtorno emocional comum apresentaram boa confiabilidade. Nas regressões múltiplas (método Enter), o SOP não apresentou efeito preditivo significativo sobre ansiedade, depressão ou estresse. A QV foi a variável mais relevante: maior QV predisse, de forma negativa, menores níveis de ansiedade, depressão e estresse, ainda que nem todas as dimensões fossem consistentes em todos os desfechos. Na mediação, o SOP não influenciou a QV, mas a QV manteve efeito protetivo, reforçando a prioridade de políticas de QV e gestão de demandas alinhadas ao CNMP.
Conclusão: Isso sugere intervenções sistemáticas: revisão de cargas, ampliação de recursos, apoio psicossocial, ações de QV, monitoramento contínuo e avaliação de resultados.
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