O mito das “prostitutas cultuais”: Relatos de mulheres líderes de templos nas cidades de Corinto e Éfeso

Autores

Palavras-chave:

Corinto, Éfeso, Mulheres Cristãs, Liderança Feminina Cristã

Resumo

O presente artigo analisa o mito da prostituição sagrada no mundo greco-romano e propõe uma recontextualização socio-histórica das passagens do apóstolo Paulo sobre o silêncio e a submissão feminina nas igrejas de Corinto e Éfeso (1Co 14:34-35; 1Tm 2:11-13). A historiografia tradicional frequentemente utilizou a suposta prostituição de cultos pagãos para fundamentar tais passagens paulinas. No entanto, análises historiográficas e arqueológicas recentes apontam que essa prática se baseia em relatórios históricos imprecisos, sobretudo de Heródoto e Estrabão, e em equívocos de tradução do termo hierodoule. A partir da revisão metodológica de fontes primárias, inscrições epigráficas e evidências materiais, demonstra-se que as sacerdotisas greco-romanas não praticavam prostituição ritual, mas ocupavam posições de elevado prestígio, autonomia econômica, poder político e liderança pública. Conclui-se que o comando paulino ao silêncio feminino não visava conter um comportamento desonroso nem se respaldava na prostituição cultual, mas respondia ao contexto de cidades helenizadas onde o forte protagonismo das sacerdotisas de divindades femininas, como Afrodite e Artêmis, gerava uma autopercepção de superioridade social entre as mulheres recém-convertidas, exigindo a reafirmação de um modelo de mutualidade comunitária.

Biografia do Autor

Carina Oliveira Prestes, Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), São Paulo

Doutora em Arqueologia do Novo Testamento pela Andrews University. Professora do Programa de Pós-Graduação em Teologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP) e Diretora do Museu de Arqueologia Bíblia (MAB/UNASP). E-mail: carinaprestes@gmail.com

Referências

BLEGEN, C. W., STILLWELL, R., BROONER, O., and BELLINGER, A. R. Acrocorinth: Excavations in 1926. Cambridge: Harvard University Press e The American School of Classical Studies at Athens, 1930.

BIRD, Phyllis A. Harlot or holy woman? A study of Hebrew qedešah. University Park: Penn State Press, 2019.

BUDIN, S. L. The Myth of Sacred Prostitution in Antiquity. Cambridge: Cambridge University Press, 2008.

CONNELLY, J. B. Portrait of a Priestess: Women and Ritual in Ancient Greece. Princeton: Princeton University Press, 2007.

FANT, C. E., e REDDISH, M. G. A Guide to Biblical Sites in Greece and Turkey. Oxford: Oxford University Press, 2003.

HEMELRIJK, Emily A. City patronesses in the Roman Empire. Historia: Zeitschrift für Alte Geschichte, n. 52, n. 2, p. 209-245, 2004. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/4436724. Acesso em: 20 set. 2026.

HYLEN, Susan E. Women διάκονοι and Gendered Norms of Leadership. Journal of Biblical Literature, v. 138, n. 3, p. 687-702, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.15699/jbl.1383.2019.670353. Acesso em: 20 set. 2026.

MCRAY, J. Archaeology and the New Testament. Grand Rapids: Baker, 2003.

MURPHY-O’CONNOR, J. St. Paul’s Corinth: Text and Archaeology. Wilmington: Michael Glazier, 1983.

ODEN, R. A. Religious Identity and the Sacred Prostitution Accusation. In: The Bible without theology: the theological tradition and alternatives to it. University of Illinois Press, 1987. p. 131-153.

PARKER, R. Controlling Religion: Greece. In: Religions of the Ancient World, ed. S. I. Johnston. Cambridge: Harvard University Press, 2004. p. 570-72.

PRICE, S. R. Religious Personnel: Greece. In: JOHNSTON, S. I (org.). Religions of the ancient world: A guide. Cambridge, Massachusetts e London. Harvard University Press, 2004. p. 288-310.

STEVENS, M. E. (2006). Temples, Tithes, and Taxes: The Temple and the Economic Life of Ancient Israel. United States, Baker Publishing Group. P. 137-162.

Publicado

2026-10-13

Como Citar

Prestes, C. O. (2026). O mito das “prostitutas cultuais”: Relatos de mulheres líderes de templos nas cidades de Corinto e Éfeso. Veritas Antigua - Revista De Arqueologia E Ciências Bíblicas, 1, e02278. Recuperado de https://www.revistas.unasp.edu.br/veritasantiqua/article/view/2278